A RAINHA DO FUNK (CARIOCA) JAPONÊS - TIGARAH

Entrevista com: Yuko Takabatake, ou melhor: Tigarah
O funk carioca está cada vez mais internacional. A japonesa Tigarah é uma prova disso. Com um EP lançado exclusivamente na internet e preparando seu primeiro álbum para o ano que vem, a cantora de 24 anos conta como conheceu e se apaixonou pelo funk carioca, que se tornou uma de suas influências musicais. De mudança de Tóquio para Los Angeles, ela conta também, nesta entrevista, porque largou uma carreira acadêmica para se tornar cantora e como a internet auxiliou na divulgação do seu trabalho.

Roberto Maxwell - Você diz em seu site que começou sua carreira depois de se formar em Ciências Políticas. Em que momento você desistiu da carreira acadêmica para se tornar cantora?
Tigarah - Bem, quando eu era adolescente, eu achava que atuando na política poderia melhorar este mundo. Era uma coisa meio naïve. Depois que eu entrei na universidade, eu compreendi que a maioria dos políticos não trabalham honestamente e fiquei chocada. Então, eu não queria ser mais um deles. Eu comecei a pensar em ser artista para expressar minhas idéias e passar boas energias para as pessoas. Eu queria fazer as pessoas felizes. Eu acredito que este é um dos melhores caminhos para fazer este mundo melhor. Por isso, eu escolhi a música. Foi há cinco anos atrás. Música tem mensagem, tá ligado?, e foi fácil para mim começar a fazer música. Eu sei que a indústria da música está cheia de porcarias mas, pelo menos, eu posso colocar a minha mensagem e atingir diretamente as pessoas. Eu ainda acredito que isso é uma coisa legal e é por isso que eu estou aqui.

RM - Quando e onde você conheceu o funk carioca? Por que você concluiu que o estilo poderia ser uma influência na sua música?
T - Pouco depois de eu ter começado a escrever músicas, eu encontrei o funk carioca. Foi numa festa na casa de um amigo brasileiro. Você sabe, embora a maioria das pessoas não tenha conhecimento, muitos brasileiros vivem no Japão. Por isso, eu conheci essa música bacana. Quando eu ouvi pela primeira vez, eu fiquei “QUE P. É ESSA???” (risos). O negócio bateu em mim e me trouxe um monte de inspiração. Eu não escolhi ou decidi que poderia ser uma influência. Simplesmente, comecei a escrever da minha maneira com o funk carioca, a partir daquele dia. Aconteceu naturalmente. :)

RM - Você diz que esteve no Brasil algumas vezes. Quais cidades do Brasil você visitou?
T - Basicamente, eu fiquei em São Paulo, onde meu melhor amigo mora. Mas, eu fui ao Rio também. As duas cidades são bastante legais. Eu fui num evento no Rio onde, por coincidência, eu encontrei o Mr. D que é meu DJ e produtor. Naquela ocasião, a gente decidiu trabalhar juntos, o que a gente vem fazendo há mais ou menos 3 anos. Fazemos música bacana desde que a gente se conheceu. Por isso, eu amo o Brasil!

RM - Você foi num baile funk no Rio de Janeiro? Lembra-se onde? Qual foi a sua impressão sobre o baile?
T - Eu fui há algumas festas no Rio. Uma delas, eu acho que foi num clube grande, próximo à praia de Ipanema. Era um local bem grande e eles tocavam outros estilos além do funk. Foi muito legal!!! Todo mundo dançando aqueles passos do funk. Coisa quente e louca, mesmo (muitos risos). Mas, estava todo mundo parecendo muito feliz e se divertindo à beça. Eu me diverti muito, também. Os brasileiros adoram dançar, beber e comer. Eu acho que eles sabem mesmo como aproveitar a vida. Isso é maravilhoso! Temos muito o que aprender com o Brasil!!! :)

RM - Você disse que encontrou o Mr. D no Brasil e começou a trabalhar com ele. Você já trabalhou com algum produtor brasileiro como o DJ Marlboro?
T - Eu conheci alguns produtores no Brasil, mas não produtores de funk. Eu adoraria encontrá-los da próxima vez que eu for lá.

RM - No Brasil, o funk carioca ainda é um estilo marginal, mas vem se tornando conhecido ao redor do mundo. Na sua opinião, por que o estilo consegue ser tão universal ao ponto de seduzir uma garota japonesa, como você?
T - Bem, eu acho que a batida do funk é uma coisa! É tão original, embora tenha algo de miami bass. Então, ela faz o povo dançar sem parar! Eu não entendo o que eles dizem, tá ligado?, mas eu fico louca para dançar quando eu ouço a batida. Eu acho que a língua não importa, as pessoas sentem a batida e querem dançar.

RM - Nos bailes funk do Rio de Janeiro, as garotas costumam se reconhecer em estereótipos como a "tchutchuca" (garotas que fazem a linha inocente, lolita), "tigresa" ou "cachorra" (garotas bem sexy que escolhem os caras que elas querem), "popozuda" (garotas com o bum-bum avantajado) e "purpurinada" (garotas que usam glitter no corpo, mais estilo fashion). Você sabia disso? Que tipo de garota você seria?
T - Que engraçado, isso! Eu não sabia! Deixa eu ver... Eu acho que às vezes eu sou tchutchuca, às vezes cachorra!!! (Muitos risos.) Sim, depende do clima e do cara, tá ligado?

RM - Quais são os temas das suas músicas? (Desculpa, mas a maior parte delas é em japonês e eu não pude entendê-las.) Você fala sobre sexo como as cantoras de funk brasileiras?
T - Não, não, não. Eu não falo sobre sexo. Minhas mensagens são sobre o egocentrismo na sociedade capitalista, choque cultural na globalização e o girl power. Às vezes, eu conto algumas estórias, também. Há algumas traduções no meu website. Dá uma checada.

RM - Você está lançando seu primeiro EP na internet de forma independente. Por que você escolheu a internet para lançar o CD? Você tem planos de ser contratada por uma major?
T - Hum, eu acho que as muitas pessoas usam computador hoje em dia e passam mais tempo na frente dele do que vendo TV. Eu fiz recentemente um myspace e achei que poderia ser legal mostrar minhas novas músicas para as pessoas, já que elas têm um pé no funk carioca que é um ritmo cool underground e, também, porque eu canto basicamente em japonês. Minha dance music é completamente diferente. É realmente uma nova dance music, tá ligado?. Nova geração. Por isso, as pessoas adoram. Mais e mais fãs aparecem através do MySpace. Eu compreendi que a internet é excelente, desde que você tenha uma música realmente boa.
Se eu estou planejando ter um contrato com uma major? Hummm, não sei... ;) O que eu quero é mostrar minha música para o máximo possível de pessoas ao redor do mundo e fazê-las felizes. Sendo assim, se o contrato com a major me permitir isso, tê-lo pode ser uma boa escolha.

RM - Você conhece as estrelas brasileiras Tati Quebra-barraco e Deize Tigrona ou outros artistas de funk do Brasil? O que você acha deles?
T - Claro que eu as conheço. Meus artistas favoritos são a Tati Quebra-barraco e o Bonde do Tigrão. Eles são muito bons! O Bonde do Tigrão faz um mix com o hip-hop, por isso eu gosto muito deles :)

RM - Existe algum tipo de “cena funk” em Tóquio? Tem clubes onde se pode ouvir e dançar funkcarioca? E DJ que toquem o estilo? Você já tocou em algum desses lugares?
T - Sim, alguns clubes tocam funk carioca, mas não são muitos. Dois ou três clubes em Tóquio e algumas outras festas brasileiras no interior do país. Muitos brasileiros vivem no interior do Japão, tá ligado? Eles formam suas próprias comunidades. Nesses lugares, há cultura brasileira e eles tocam diversos tipos de música brasileira nos clubes. DJ de funk eu acho que tem apenas um no Japão. Seu nome é Rokotsu Kit e ele é meu amigo. Não há muita gente que conheça o funk carioca aqui. Mas, ele tem muitas músicas e toca em tudo quanto é evento de funk Eu também já toquei em eventos de funk, em alguns clubes. E o Rokotsu Kit tocou também. Não há muitos conhecedores em funk no Japão, então todo mundo se conhece e quando há algum evento de funk, a gente vai lá e toca. Mas, a partir desse ano, mais pessoas estão conhecendo o funk, aos pouquinhos. É excitante ver como as pessoas reagem à música. Eu sabia que as pessoas no Japão iriam curtir o funk também e, das pessoas que eu conheço, eu fui a primeira a ter contato com essa parada maneira. ;)

RM - Você está se mudando para Los Angeles. Quais são seus planos para o futuro? Você tem planos de tocar no Brasil? Já tem alguma data marcada?
T - Sim, eu estou me mudando pra lá. Estou finalizando meu primeiro álbum ainda este ano e vou lançá-lo ano que vem. Antes, vou gravar um clipe. Por isso, vou andar bem ocupada em breve. Eu toco na Suécia em 20 de setembro. (A entrevista foi realizada duas semanas antes deste evento.) Minhas músicas são hits nas pistas de lá. Eu estou muito excitada. E, quer mais? Eu devo fazer um show no Brasil. Ainda não sei quando mas, com certeza, vou estar por lá em breve. Muito excitante!

2 comentários:

Roberto disse...

Ola, rapaz, tranquilo? Posso te pedir um favor? Anexa no texto a fonte onde ele foi publicado incialmente.

Abracao

Roberto Maxwell

Anônimo disse...

tenho curiosidades em saber tudo sobre ofank no brasil.porque muitos falam varias coisas,orrorosas sobre fank. oque voçe tem para me dizer sobre isso.